Frutas conferem um toque especial à cerveja

Por Renata Abritta

As frutas movimentaram o mercado cervejeiro e conquistaram o publico conferindo aroma, saber e cor a diversos estilos

Goiaba, laranja, limão, melancia, pitaia, maracujá, acerola, amora… Quando o assunto é ingrediente para cervejas, o céu é o limite. Com criatividade e conhecimento, é possível fazer cervejas extremamente saborosas, de diferentes estilos e de coloração exuberante que despertam a atenção.

As cervejas com frutas caíram no gosto dos consumidores. Produzidas por várias cervejarias e em estilos variados, elas estiveram em alta em 2019. “Pegar estilos clássicos e acrescentar uma fruta condizente com a base da cerveja é uma tendência muito bacana, principalmente em um país como o Brasil”, afirma Leo Nascimento, mestre em estilos e sócio da cervejaria Dos Caras.

Catharina Sour

Entre as cervejas feitas com frutas que ganharam bastante visibilidade está a Catharina Sour, primeiro estilo brasileiro reconhecido mundialmente. A Prússia Bier, por exemplo, localizada em São Gonçalo do Rio Abaixo, produz um rótulo com goiaba e hibisco. “A goiaba era a fruta da estação no momento em que fizemos. O hibisco foi usado porque dá uma coloração natural, e suas propriedades, como a adstringência, combinam com a goiaba”, explica Fernando Cota. 

Segundo ele, a aceitação do público foi incrível e a ideia é seguir produzindo o estilo utilizando frutas de cada estação. “Cerveja com fruta sempre chama a atenção quando acertamos na dosagem e não fica enjoativa nem frutada demais, sem parecer cerveja”, explica Cota. O cervejeiro conta que, em março, lançará um rótulo com abacaxi.

A Catharina Sour possui sabor e aroma de frutas frescas, o que é ideal para nosso clima tropical, como afirma Fabiana Bontempo, sócia da Brücke, localizada em Nova Lima. Desde 2016, ela produz a Passion, que tem frutas amarelas em sua composição. “O estilo original era Berliner Weisse com frutas, no caso maracujá e laranja. O caráter refrescante do maracujá e o aroma superperfumado, aliados com o perfil cítrico da laranja, formaram um buquê muito pungente, surpreendente”, exclama.

Ela explica que em 2016 as cervejas ácidas ainda não estavam em alta como hoje, mas a aceitação foi tanta que ela foi incorporada à linha de produção como cerveja sazonal do verão. Com o reconhecimento da Catharina Sour, o estilo foi alterado, e a Passion passou a ter essa classificação. A cervejaria também lançou rótulos com morango e romã.

A Verace também investiu no estilo e criou a Abaporu Sour, que possui goiaba e cajá-manga, sendo acidificada com lactobacilos. “Como o estilo foi reconhecido mundialmente, muitas cervejarias serão motivadas a produzir, o que estenderá a oferta e incentivará o consumo”, analisa Túlio Silva Pinto, mestre cervejeiro.

Segundo ele, que também é responsável pela fruit beer Maracutaia, que tem maracujá e pitaia, a meta para este ano é explorar estilos consagrados, mas também, e principalmente, inovações. “Manteremos nossa tradição de uso de frutas e especiarias, além de processos inovadores”, pontua.

Reconhecimento internacional

Desenvolvida por produtores de Santa Catarina e hoje produzida em vários Estados do país, inclusive em Minas Gerais, a chamada Catharina Sour é o primeiro estilo tipicamente brasileiro incluído no catálogo da Beer Judge Certification Program (BJCP).

Considerada uma das principais organizações mundiais de certificação de juízes cervejeiros, a BJCP publica um guia de estilos da bebida que serve de parâmetro para os produtores caseiros, artesanais e industriais.

Por mais que haja divergências com relação ao nome escolhido para o estilo – “por que não Brasil Sour?” foi uma questão pontuada – os cervejeiros mineiros têm apostado no estilo. “O Brasil saiu do limbo cervejeiro e começa a marcar seu nome na história. O nosso entendimento é que o país passa a ter uma projeção dentro de um guia importante, e a gente apoia essa iniciativa. Os pormenores com relação ao nome não tiram o brilho do trabalho que foi feito”, afirma Fernando Cota, sócio da Prússia Bier.

Levemente ácida e com acentuado sabor de frutas, que pode lembrar um espumante, a Catharina Sour começou a ser testada comercialmente entre os anos de 2014 e 2016, quando as microcervejarias e importadoras já se destacavam por conquistar crescente espaço no mercado cervejeiro nacional.

Matéria publicada no Jornal O Tempo por Renata Abritta em 20/01/2019

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