Minas Gerais já produz lúpulo

Por Renata Abritta

Ingrediente responsável por aroma e amargor da cerveja normalmente é importado por se desenvolver melhor em climas amenos, como de países do Hemisfério Norte

Com a expansão das cervejarias no Brasil, a demanda pelos insumos cervejeiros também aumenta. Cada vez mais se busca uma alternativa para substituir lúpulos importados, cotados em dólar, com o desafio de manter a qualidade. O cultivo em solo brasileiro desse ingrediente da cerveja, responsável pelo aroma e pelo amargor da bebida já é uma realidade, inclusive em Minas Gerais. Apesar de pequena, a produção, tem despertado interesse dos cervejeiros, principalmente pela capacidade de ser produto usado fresco (in natura).

Na última semana, foi realizada a colheita do lúpulo na Fazenda Fartura, em Rio Espera, região Central de Minas Gerais, onde atualmente são desenvolvidas mil mudas do lúpulo Mantiqueira. A espécie, nascida na serra da Mantiqueira (SP), hoje é patenteada pela Heineken.

Foto: Viviane Furst/Divulgação

“Essa é a primeira colheita comercial. A oficial foi ano passado, mas desta vez as plantas têm mais qualidade por estarem mais maduras. Já foi feito uma comparação com outras espécies plantadas no Brasil, como chinook e cascade, entre outros. Ele se mostrou até superior a essas espécies, chegando a um teor de alfa-acidez bem interessante, mas o principal mesmo são os óleos essenciais, por ser um lúpulo aromático”, afirma o produtor Getúlio Guedes de Souza.

Segundo ele, a meta é dobrar a produção em março e chegar a 5.000 mudas em quatro anos. “Temos campo para isso, já estamos dominando a técnica de fazer mudas e vamos chegar lá. A procura se manteve igual à do ano passado, mas são cervejarias que só intensificam o interesse”, destaca. 

Benefícios

Souza também destaca a possibilidade de se utilizar a planta in natura. “Os importados chegam paletizados, e o processo de paletização envolve bastante perda de óleos essenciais. No nosso, vem a planta verdinha, o sabor e o cheiro são outros. O que a gente tem aqui para fornecer não virá de fora, não tem como chegar uma flor fresca de fora, é inédito no Brasil”, diz.

Uma das cervejarias interessadas no lúpulo produzido em Rio Espera é a Loba, localizada em Santana dos Montes, que, inclusive lançou uma Experimental Beer no ano passado, com a utilização do ingrediente. A próxima cerveja produzida com o Mantiqueira será uma blond ale. 

Foto: Viviane Furst/Divulgação

“Os benefícios desse lúpulo são vários, o principal é usar o produto fresco. Certamente tem também o custo, sem taxas de importação. Ou seja, temos um lúpulo de baixo custo com qualidade similar, o que é saudável para qualquer cervejaria. Com os aprimoramentos que vamos fazer na plantação, pode melhorar ainda mais”, afirma Aloísio Rodrigues Pereira, proprietário da Loba.

Matéria Original: O Tempo/ Renata Abritta

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