Puro malte: saiba o que é mito e o que é verdade

Por Renata Abritta

Tire dúvidas sobre uma das expressões mais utilizadas ultimamente

Nos últimos meses, muito se tem falado sobre as cervejas puro malte – principalmente após o investimento das grandes cervejarias no segmento. Mas, para quem não é estudioso do tema e gosta apenas de degustar a bebida, o termo gerou dúvidas: afinal, o que quer dizer “ser puro malte”? Essa definição faz uma cerveja ser superior a outras?

É importante ressaltar que o malte é um dos principais ingredientes da cerveja, juntamente com o lúpulo, a água e a levedura. Ele é resultante da germinação de um grão – que pode ser trigo, centeio ou cevada – e vai gerar o açúcar, durante o processo de produção da bebida.

Dessa forma, a cerveja puro malte é aquela feita com 100% de malte de cevada, e nada de cereais não maltados (que não passam pelo processo de germinação), como o milho e o arroz.

É melhor?

Uma cerveja ser puro malte não significa, necessariamente, que ela tem mais qualidade que outra. Em muitos estilos belgas, por exemplo, é comum a utilização de cereais não maltados para enriquecer os sabores da bebida. Até os alemães, apesar da tradicional lei da pureza, fabricam estilos com ingredientes além do malte da cevada. “Eles trazem mais complexidade e mais diferenciais. A produção gera cervejas excelentes, feitas com cuidado”, afirma o cervejeiro José Bento, sócio da Lamas Brew Shop e da cervejaria Dunk Bier.

Por outro lado, Bento explica que a grande indústria opta por utilizar os cereais não maltados para reduzir custos. “Nesse caso, eles não agregam nada de bom para a cerveja: pelo contrário, até diminuem a qualidade dela”, destaca.

Isso ocorre porque, atualmente, o malte produzido no Brasil não é suficiente para suprir o mercado interno. Dessa forma, grande parte do produto, e dos grãos utilizados para fazer a cevada, é importada – o que torna o processo mais caro.

Menos ressaca!

É comum ouvir que um dos benefícios das cervejas classificadas como puro malte é que elas dão menos ressaca. Mas isso é verdade? “Em geral, quando falamos das cervejas fabricadas no Brasil, pode-se dizer que sim. A grande questão é que não são somente os cereais não maltados que são ruins, mas sim seu uso indiscriminado, para reduzir custos, aliado a uma grande quantidade de substâncias químicas para agilizar o processo de produção. A cerveja tem um tempo de produção: agilizar isso faz com que se tenha, ali no líquido, álcoois menos nobres, que são os maiores causadores de ressaca”, pontua Bento.

Líquido

Hoje, os cervejeiros também têm a opção de utilizar na produção da bebida o malte líquido, que é aquele que enfrentou o processo de cozimento da cerveja. “Depois, ele passa por evaporação de água, tornando-se um líquido bem espesso. Como esse malte já passou pelo cozimento, o utilizamos na fervura para produção da cerveja, ou seja, um processo de fabricação de cerveja que duraria entre seis e oito horas é feito em apenas duas, com a utilização desse malte”, ensina Bento. 

(Post originalmente publicado pela autora em O Tempo.)

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